Por que estudar Astrologia?

​Desde os tempos mais antigos o céu tem oferecido luz à humanidade, tanto no sentido material quanto no sentido simbólico e espiritual. Nossa espécie parece ser dotada da capacidade de decifrar e criar sentidos para o mundo natural que nos rodeia.

A astrologia é ao mesmo tempo um conhecimento e uma arte, um exemplo rico e potente da habilidade humana de construir símbolos e elaborar sentidos. É uma prática antiga que continua à expandir e evoluir. Possui diversas abordagens, aplicações e métodos variados, e nos fornece técnicas e ferramentas para entender o mais moderno da vida do século 21.

​Na tentativa de encontrar um exemplo simplificado, podemos fazer uma analogia do mapa astrológico com o mapa de um território, como se o mapa fosse um espelho do território, e a astrologia é a linguagem que descreve o território. Entender astrologia é uma experiência enriquecedora que serve como uma ferramenta para o autoconhecimento ou uma espécie de bússola para navegar em nosso contexto individual.

Considerando o ritmo acelerado e fragmentado deste século 21, as inúmeras mudanças que estamos passando e o nível de stress a que estamos submetidos, a astrologia pode ajudar na reconexão com a nossa integridade humana, bem como abrir novos modelos mentais e novos olhares, percepções e sentimentos, auxiliando no entendimento do mundo em que estamos imersos.

​A leitura de um mapa astral individual em uma consulta astrológica é apenas uma maneira de trabalhar com a astrologia. Outras possibilidades incluem a pesquisa, a simbologia, o trabalho experiencial, as pesquisas, estudos especializados, e outros tantos exemplos ligados à astrologia psicológica, cármica, financeira, médica etc.

Neste vasto conhecimento, observamos que a astrologia tradicional floresce ao lado da moderna astrologia, e me arrisco a dizer que a astrologia preditiva, a eletiva e a horária são formas de arte, assim como também tem seu lugar a astrocartografia, o estudo das sinastrias e a astrologia mundana. Alguns autores de filmes e escritorres usam sempre o simbolismo dos signos astrológicos para dar vida a seus personagens, afim de caracterizá-los em determinadas situações para confirmar o estilo escolhido pelo autor. E às vezes artistas e até humoristas e músicos usam os planetas e sinais como inspiração para expressar sua criatividade.

A astrologia de abordagem psicológica propõe utilizar os conhecimentos astrológicos como ferramenta de autoconhecimento e autodesenvolvimento.

A rede mundial de computadores fornece uma plataforma rica e ilimitada para todos os ramos da astrologia e uma proliferação de informações dedicadas a um sem número de ideias de aplicação da astrologia.

Para falar de uma perspectiva histórica, os registros de livros mais antigos mostram que não havia distinção entre os termos astrologia e astronomia. A chamada astrologia clássica teve seu desenvolvimento como ciência desde a babilônia, passou pelo período greco-romano, até se tornar nos primeiros séculos da era cristã a principal disciplina a ocupar-se da interpretação da realidade.

 

Até o século 17 as palavras astrologia e astronomia coexistiam, chegando até a serem usadas ​​como sinônimas, a partir de então ocorre uma distinção, enquanto a astronomia dedica-se a atender o ser humano como um observador do cosmos a astrologia entende este mesmo ser humano com uma parte vida do cosmos também vivo.

Nos séculos 16 e 17 quando estavam em alta os estudos de Kepler e Galileu,  e ocorre a emergência do racionalismo científico que trouxe uma mudança importante da visão de mundo com a lógica científica de Descartes. A nova visão de ser humano dali em diante separa o entendimento do ser humano em res cogitans (Espírito), res divina (Deus) e a res extensa (Matéria). Daí em diante gradualmente há uma rejeição às sabedorias anteriormente praticadas e respeitadas.

 

No final do século 19 e início do século 20, com a ascenção do movimento teosófico e a disseminação da psicologia analítica e da psicologia humanista abre-se espaço para uma releitura do conhecimento astrológico. Neste início do século 21, muitos estudiosos europeus, australianos, asiáticos, ingleses e americanos estão desempenhado significativos papéis na expansão e no aprofundamento dos estudos da astrologia moderna.

Neste momento da história a palavra astronomia está reservada aos conhecimentos da astrofísica e da cosmologia que trata das questões científicas e acadêmicas dos fenômenos celestes. Ao passo que a palavra astrologia diz respeito à conexão simbólica de corpos celestes com as experiência e circunstâncias da vida humana na terra.

O princípio hermético "assim como em acima, embaixo" trata da relação do macrocosmo com o microcosmo, e pode perfeitamente simbolizar a relação dos corpos celestes como macro e a vida cotidiana na terra como micro.

A astrologia é um sistema complexo e imaginativo de pensamento que reconhece o universo, e em particular o corpos celestes, planetas e estrelas como um espelho no qual os temas humanos podem ser lidos, analisados e compreendidos. E como qualquer espelho, ao aprender a linguagem busca-se traduções subjetivas para as experiências vivenciadas na terra.

​A palavra horóscopo vem do grego “ver a hora” e literalmente é um diagrama que reflete as posições do sol, da lua e dos planetas a partir de um determinado ponto geográfico e temporal, como se fosse um regório cósmico e o mapa astrológico pode ser comparado a um mapa da alma ou dimensão de vida onde está a matéria-prima a partir da qual floresce um conjunto de possibilidades.

Assim como a semente carrega o potencial da planta dentro de si, e cresce ou morre dependendo do ambiente e das condições, ou de fatores de grande ou pequeno porte ou ainda fora de qualquer controle, o mapa astrológico com a data, horário e local de nascimento nos dá uma imagem vívida e detalhada do nosso terreno pessoal e simboliza as relações e as circunstâncias internas e externas.

A experiência de habitar e entender a topografia do seu próprio mapa astrológico se faz na vida que respira e experimenta a jornada no território. O mérito não é do desenho topográfico do céu projetado numa folha de papel, o mérito é sim do caminhante que anda pelo território, faz suas escolhas, conduz seu destino. Ser capaz de ler a figura gráfica de uma pessoa não significa que podemos afirmar definitivamente "saber" alguma coisa sobre o indivíduo em particular, nem exatamente como ele irá se manifestar pessoalmente nos padrões observados.

Uma interpretação astrológica também inclui a época em que se vive, a cultura, leva em conta a sociedade, a comunidade, a história individual em pauta, o condicionamento específico do sujeito, as escolhas que se fez e a própria vontade do sujeito de jogar o jogo de viver a própria vida.

Somos nós seres humanos que fazemos as distinções e escolhas de acordo com nossa percepção de mundo. A linguagem cósmica não diz absolutamente nada sobre o a percepção de bem e de mal. O juízo é do indivíduo. O mapa de nascimento detém uma riqueza de possibilidades e oferece à nossa imaginação uma inclinação para analisar, questionar, explorar, descobrir e decodificar. Porém, não existe uma coisa gráfica do mapa astrológico que possa ser julgado como bom ou ruim, isso é um julgamento puramente humano, ou ainda uma distinção de quem lê, e não do aspecto cósmico.

A arte e o desafio da interpretação de um mapa astrológico é como ter a possibilidade de capturar a ligação do indivíduo com o material cósmico que o gestou, e a astrologia é a linguagem que traduz essa conexão do indivíduo com o cosmos. Quando entendemos como essa conexão pode ser conhecida e ativada, podemos ter um acesso colorido ao mundo psíquico individual e ao mundo coletivo.

Assim que o ser humano compreende que é arte de suas próprias escolhas, a consciência ganha lugar soberano em seu desenvolvimento, e pode interferir na evolução individual e no conjunto da humanidade, pois no conjunto somos uma espécie de teia que liga as partes vivas do universo.

Uma metáfora útil para compreender a moderna astrologia trazida por Dane Rudhyar diz que "a astrologia é uma linguagem, e se você entender essa linguagem, o céu fala com você". É evidente que esta linguagem, como qualquer outra, pode ser usada de muitas maneiras, e entrando num estudo sério sobre Astrologia não há como ignorar os mal-entendidos e o menosprezo que muitas vezes surge quando temas relacionados à astrologia vem à discussão.

A linguagem astrológica é rica e diferenciada por si mesma, e se usada com sabedoria, auxilia na comunicação do indivíduo consigo mesmo, na compreensão do coletivo, e relação do imanente e do transcendente.

Os cursos de astrologia de abordagem psicológica tem por objetivo apoiar você na aquisição e na aplicação da linguagem astrológica para facilitar seu aprendizado, com metodologia e uso correto da gramática astrológica,  auxiliando você na fluência, ampliação e aperfeiçoamento de seu vocabulário, para que você adquira o seu estilo.

E finalmente, como, quando e onde você irá utilizar essa linguagem milenar, sem dúvida alguma será para em primeiro lugar chegar mais próximo de você mesmo, das suas potencialidades, seus recursos individuais e principalmente para auxiliar em seus desafios de vida.

 

Prof(a) Mara Castro.